Paris, 05 de Março de 2005
Perco-me na noite, a solidão me acompanha, o medo de não achar o paraíso é eterno. Paraíso este inimaginável e indescritível. O que é o paraíso? Como é o paraíso? Não sei e talvez nunca saiba, mas definitivamente o meu está longe do ideal puritano que nos persegue.
Não sou escritor e muito menos poeta, apenas despejo nessas paginas minha vida, tentarei entende-la, onde errei? Apenas peço que não reparem em minha simplória obra. Você nunca pensou em escrever? Nem eu a algum tempo atrás, cerca de dez minutos vislumbrei a minha salvação. Que salvação cristo? Não há salvação, minha única salvação sou eu mesmo, mas o momento é de total desespero e me enterro em meu mundo e tento não pensar em nada, apenas em escrever, ocupa minha mente. Bastou o ócio, uma garrafa de champagne, um laptop, um maço de cigarros e estar a um passo da depressão.
“ A vida é repleta de tristezas: pouco importa o que fazemos, no final todos vamos morrer, cada um de nós esta preso na solidão de um corpo autônomo; o tempo passa e o que passa nunca voltará. A dor é nossa primeira experiência de desamparo no mundo, e ela nunca nos deixa. Ficamos com raiva de sermos arrancados do ventre confortável, e assim que a raiva dissipa, a depressão chega para assumir o seu lugar.”
(“O demônio do meio dia”, Andrew Solomon)
Lembro-me de meu primeiro contato coma tal da depressão. Foi logo em minha primeira seção terapêutica. A sala era grande e havia uma bela janela ao lado da mesa da doutora, seu nome era Maria Paula. O consultório ficava em Higienópolis, num belo sobrado. Apesar das grandes janelas a sala era pesada, cortinas iam ate o chão, aquilo me dava uma sensação de sujeira, me pareciam incrivelmente empoeiradas. Os moveis eram grandes e pesados, de madeira escura e polida, bonitos, mas pesados. O globo era o que me chamava mais atenção, era enorme e sempre quis ter um globo daquele. Eu não gostava daquele lugar, desde o primeiro momento. Sento-me em uma poltrona de couro preta, a moça é mais nova do que imaginava e posso ate mesmo dizer bonita. Gosto de gente bonita. Foram cerca de cinqüenta minutos que para mim não levaram a lugar algum. Minha mãe entra na sala, a tal moça após cinqüenta minutos de perguntas e de ouvir o que eu fiz nos últimos dias, chega a conclusão de que “ seu filho tem tendência a depressão”. Como assim? Este foi meu contato com a depressão.
Registro: o primeiro de muitos.
Durou três meses a terapia, nada que presta saiu de lá. Não sei por que contei isso, apenas me lembrei e foi algo marcante. Ainda hoje não tenho um globo como aquele.
Nota importante: comprar um globo.
O que relatarei aqui é minha vida, nada mais e nada menos, mesmo porque nela já se inclui tudo: meus sonhos e medos, aventuras e decepções.
Para isso devo escolher um começo, eu escolho 1997.
Uma pessoa entra em sua vida e tudo ganha um novo gosto e sentido.
Perco-me na noite, a solidão me acompanha, o medo de não achar o paraíso é eterno. Paraíso este inimaginável e indescritível. O que é o paraíso? Como é o paraíso? Não sei e talvez nunca saiba, mas definitivamente o meu está longe do ideal puritano que nos persegue.
Não sou escritor e muito menos poeta, apenas despejo nessas paginas minha vida, tentarei entende-la, onde errei? Apenas peço que não reparem em minha simplória obra. Você nunca pensou em escrever? Nem eu a algum tempo atrás, cerca de dez minutos vislumbrei a minha salvação. Que salvação cristo? Não há salvação, minha única salvação sou eu mesmo, mas o momento é de total desespero e me enterro em meu mundo e tento não pensar em nada, apenas em escrever, ocupa minha mente. Bastou o ócio, uma garrafa de champagne, um laptop, um maço de cigarros e estar a um passo da depressão.
“ A vida é repleta de tristezas: pouco importa o que fazemos, no final todos vamos morrer, cada um de nós esta preso na solidão de um corpo autônomo; o tempo passa e o que passa nunca voltará. A dor é nossa primeira experiência de desamparo no mundo, e ela nunca nos deixa. Ficamos com raiva de sermos arrancados do ventre confortável, e assim que a raiva dissipa, a depressão chega para assumir o seu lugar.”
(“O demônio do meio dia”, Andrew Solomon)
Lembro-me de meu primeiro contato coma tal da depressão. Foi logo em minha primeira seção terapêutica. A sala era grande e havia uma bela janela ao lado da mesa da doutora, seu nome era Maria Paula. O consultório ficava em Higienópolis, num belo sobrado. Apesar das grandes janelas a sala era pesada, cortinas iam ate o chão, aquilo me dava uma sensação de sujeira, me pareciam incrivelmente empoeiradas. Os moveis eram grandes e pesados, de madeira escura e polida, bonitos, mas pesados. O globo era o que me chamava mais atenção, era enorme e sempre quis ter um globo daquele. Eu não gostava daquele lugar, desde o primeiro momento. Sento-me em uma poltrona de couro preta, a moça é mais nova do que imaginava e posso ate mesmo dizer bonita. Gosto de gente bonita. Foram cerca de cinqüenta minutos que para mim não levaram a lugar algum. Minha mãe entra na sala, a tal moça após cinqüenta minutos de perguntas e de ouvir o que eu fiz nos últimos dias, chega a conclusão de que “ seu filho tem tendência a depressão”. Como assim? Este foi meu contato com a depressão.
Registro: o primeiro de muitos.
Durou três meses a terapia, nada que presta saiu de lá. Não sei por que contei isso, apenas me lembrei e foi algo marcante. Ainda hoje não tenho um globo como aquele.
Nota importante: comprar um globo.
O que relatarei aqui é minha vida, nada mais e nada menos, mesmo porque nela já se inclui tudo: meus sonhos e medos, aventuras e decepções.
Para isso devo escolher um começo, eu escolho 1997.
Uma pessoa entra em sua vida e tudo ganha um novo gosto e sentido.
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